Há uma idade
em que as lembranças
voltam.
Idade sem dia
sem chuva
calculada
pela nostalgia.
Lembranças mortas
esburacadas
a denunciar
o intervalo do passado
ainda quente
quando pensado morno
a molhar os olhos
sob as pálpebras fechadas.
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Aos que estão nos lugares
Deixo eu minha falta de ares
Alguns sentidos poucos olhares
Se der vejam senão relaxem
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As cortinas fechadas
A luz apagada
O silêncio do quarto
É perfurado
Pelas vozes do lado
Que eu não queria
Ter que ouvir
Mas atravessam
O concreto
E me convidam
A refletir
Em tudo que
Eu não peço
Apenas me
Deixem aqui
Virada de lado
No frio desejado
No tempo
Sossegado.
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Coisas mortas
Vejo-as curiosa
Pela fechadura da porta
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No profundo
da veia
escorre a seiva
que não se vê.
Onde o labirinto
da terra
imita a vida
no dilema do ser.
Há o mistério
do círculo
de cores
luzes
energias
e não há porque.
Há o dom
de tudo dizer
alojado no corpo
a acontecer.
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voam entoam
todos os meus cabelos
um canto sem cor
um coração de pesadelo
até que livre me vejo
no sujo breu do beco
vivos ecoam
todos os meu desejos
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Mulheres deitadas
na noite esticadas.
A conversar consigo,
a pensar o mundo.
Leves às vezes estão
pesadas em tantos
pensamentos que a mente
enfadada curva-se sobre
a madrugada e o retrato da
mulher é um canto
à beleza roubada.
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Tua boca
insiste
em contornos
de dó.
Tua boca
resiste
a me deixar
só.
Somente
quando vejo
na noite escura
sem lua
percebo
toda a falta
que sinto
da tua.
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