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Posts Tagged ‘Ana Karenina’

(…) na esperança de reexaminar
com um olhar novo as imagens fielmente amadas, tão solidamente
fixadas na minha memória que já não sei se estou a recordar
ou a imaginar quando as reencontro em meus devaneios. (Bachelard)

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Este vídeo foi produzido para a disciplina de Aplicado em Telejornalismo, sob orientação do Prof. Reginaldo Moreira, pelos estudantes de Jornalismo da PUC-Campinas, Maura Voltarelli e Danilo Reenlsober em abril de 2010.

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Diante da minha paixão pela literatura, sempre me peguei pensando em algumas semelhanças que se fazem notar nas grandes personagens femininas que, muitas vezes, dão nome a grandes obras. O interessante neste ponto é discutir qual seria o perfil da mulher que merece ser lida, entendida, revelada. Vejamos a emblemática Anna Kariênina de Tolstói, mulher que conserva como características a ambiguidade, que por ela não é muito bem exercida, o misto de calma e desespero, o amor – no sentido mais escandaloso deste sentimento. Anna sofre mas arrisca, ama, mas não hesita em trair, chora, nem sempre de tristeza, sentimento que exprime nem sempre através de um olhar. A grande inspiradora das barbas de Tolstói é uma mulher adúltera, impetuosa, frágil e desesperada, a ponto de extinguir a própria existência arremessando-se sem medo sob os trilhos de um trem.
E o que dizer de Madame Bovary, a mulher marcante de Gustave Flaubert, não por acaso, ou se por acaso for, adúltera, amante, impetuosa, apaixonada, misteriosa. Madame Bovary envolve-se de corpo e alma. Ao ler a obra e as palavras que se referem a ela, não se sabe ao certo como ela é, mas se tem certeza de como ela não é. Uma Madame que não hesitou em ser o que é em essência, manteve-se fiel ao seu interior até o fim – fim trágico – mas fim, mesmo que ditado por uma dose de veneno.
E o que dizer da nossa Capitu, de seus olhos de cigana oblíqua e dissimulada, de seus olhos de ressaca, expressões fortes, simples e reveladoras da alma de muitas de nossas mulheres. Só poderiam ser cunhadas por Machado de Assis. A sua Capitu, sem dúvida, representa muitas mulheres. Uma Capitu esperta, e, ao mesmo tempo, ingênua, impetuosa, corajosa e confiante. Uma mulher que traz para si tudo e todos apenas com o olhar. Uma mulher que mente e encanta, fascina e corrompe. Capitu não escolhe a morte como Anna Kariênina e a nossa querida Emma (Madame Bovary), talvez porque ela fosse viva demais, confiante demais, a cigana digna dos feitiços da alma e do corpo. Anna e Emma nem por isso foram menos ambíguas, fortes e encantadoras, o fato é que estas não portavam a confiança e a total capacidade de ser duas, como Capitu. Elas optaram pela morte, talvez, porque só por meio desta poderiam ser quem elas realmente gostariam de ser. Não tinham os olhos dissimulados de Capitu e sim olhos de angústia e latência, olhos de atitudes desesperadas que se traduziram no veneno de Madame Bovary e no trilho do trem de Anna Kariênina.
As mulheres de nossa literatura são no mínimo instigantes, diferentes e curiosas, daí concluo que a heroína, aquela que é digna de ser o centro de uma história, não é necessariamente a que porta a moral e os bons costumes e sim aquela que é autêntica não importando se para o bem ou para o mal.

O destino final de Anna Kariênina

Capitu: “Olhos de cigana oblíqua e dissimulada, olhos de ressaca”

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