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Posts Tagged ‘Angústia’

Frida Kahlo

Frida Kahlo

Angústia
dilaceramento do um em dois
uma definição rápida
coisa sem importância
depois com um exagerado
acúmulo em meu peito de nós
todos os meus explosivos erros
me visitando sem dó
meus excessos de culpa
toda cabeça fervendo.

Não sei se era essa de que falavam
mas parece o dilaceramento do um em mais
a sós.

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Salvador Dalí

Horizonte
Longe
Definitivo
Infinito onde
Ao mirar-te divido
E só sei do que sinto
Quando desmaiam
As vozes
E ouve-se o grito.

Absoluto
Oco
Moço
Insosso
A iludir-me com gosto
Sem nunca unir
Tua sombra e teu corpo
Os sonhos
Meus e do outro.

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Vai e volta...sem nunca acabar...

Vai e volta...sem nunca acabar...

“Seu Evaristo balançava. Às vezes apareciam as costas curvadas. Outras vezes surgiam a barba branca, a língua fora da boca, os olhos abotoados, a careca, e era como se ele fosse dar um salto. Esta ideia absurda de um homem saltar depois de morto bulia comigo. Aquele defunto levantado, com os pés no chão, ameaçando-me com um salto que poderia trazê-lo para junto de mim, apavorava-me. A corda que o sustinha, apenas visível de longe, fininha como aquela que ali estava em cima da mesa, torcia-se e destorcia-se. A mulher de seu Evaristo, caduca, olhava-o, sem lágrimas”. (p. 159)

“Movemo-nos como peças de um relógio cansado. As nossas rodas velhas, de dentes gastos, entrosam-se mal a outras rodas velhas, de dentes gastos. O que tem valor cá dentro são as coisas vagarosas, sonolentas. Se o maquinismo parasse, não daríamos por isto: continuaríamos com o bico da pena sobre a folha machucada e rota, o cigarro apagado entre os dedos amarelos. Deixaríamos de pestanejar, mas ignoraríamos a extinção dos movimentos escassos. Os rumores externos chegam-nos amortecidos. Que barulho, que revuloção será capaz de perturbar esta serenidade”? (p. 165)

Graciliano Ramos, Angústia

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