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Posts Tagged ‘Degas’

RUA SEM FIM

Edgar Degas

POESIA

Como um véu a tocar rente a terra,
no inverno de abril,
na noite de qualquer era
Eu simplesmente olho pra mim
e não sei o que sou.
Sou eu a que me olho ou
sou ela que me espera?

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Nestas noites tristes
onde a alma cutuca,
o tempo se dói,
os olhos se molham,
o sentido se arrepia.

Nestes dias em que
a solidão é prosa,
eu vejo a distância
entre mim e ti.
Desenha-se a minha
sofreguidão,
nasce meu estado de poesia.

Karenina Volque

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Prima Ballerina, A primeira bailarina – Edgar Degas

A primeira bailarina poderia ou não ser a primeira. Quem sabe a última, aquela que se esconde em valsas descompassadas ou harmoniosas, notas que saem da alma ou do desespero. A primeira bailarina parece estar voando. Ela realmente voa em saltos e toques certos e perfeitos. O ambiente em torno dela é de todo inspirador e implacável. Parece conduzir a um limite entre a terra e o sonho. As pinceladas fortes, expressivas, marcadamente impressionistas que dão forma a esta delicada e, ao mesmo tempo, forte bailarina são do gravurista, pintor e escultor francês Edgar Degas (1834-1917), que tornou-se famoso por suas bailarinas doces e arrebatadoras. Degas cumpre o propósito impressionista quando reconstrói o real, aderindo às suas infinitas possibilidades, dando vida a uma pintura que antes de tudo sente e faz sentir, buscando o momento da contemplação e do tempo que se dá ao tempo.
Admirar uma bailarina de Degas é embarcar no voo da arte, incerto e fascinante. A vivacidade de seu quadro traz uma sensação de liberdade, uma delicadeza juvenil e uma maturidade natural. A primeira bailarina acordou poesia, só pode ser poesia para transmitir gratuitamente, a quem o sabe perceber, tamanha dose de sensibilidade e nostalgia. Gosto de Degas pois quando da primeira vez que o vi foi como se aprendesse a sonhar. Degas nos ensina a sonhar o sonho que toda menina carrega: o sonho de ser uma linda e delicada bailarina, protegida de todos os perigos, cercada de belos vestidos e extremadas sensações, acorrentada ao ritmo da dança, alheia ao controle da vida, entregue à coreografia do amor, do verdadeiro e grande amor, sonhado por toda menina-bailarina ou bailarina-menina.

Porque o quadro e o meu momento me fizeram lembrar estas linhas…

Suave, serenamente,
Eu hoje acordei poesia.
Passei o meu dia versando você,
olhava em seus olhos,
distantes dos meus,
e a cada olhar,
por demais atento,
brotavam, em pensamento,
versos que seriam seus.
Mas antes que eu conseguisse
definir-te em versos,
com um simples gesto,
mero falar,
conseguiste de súbito
meus versos quebrar

Cida Villela

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