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Posts Tagged ‘instante’

Oswaldo Goeldi

Oswaldo Goeldi

O espaço do não fazer nada.
Do simples parar e
pensar prazerosamente a vida.

E deliciar-se no instante suspenso,
no espreguiçar do tempo e
de todos os membros.

A possibilidade nauseante da pausa
lenta, tranquila, atenta
e o abraçar do silêncio que falta.

Que falta faz esse fazer tudo
abrupto e, de repente, mudo.

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uma rua em Barão Geraldo

Quando me visitam os estados de felicidade
Surpreendo as flores doces no jardim
A falar-me coisas suspensas no tempo
Colocando um acento em tudo que há fora de mim.

Eterno e vivo o seu desejo – essencial –
Mais do que manso derradeiro e honesto
Presto atenção:
______________o Aberto.

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Penso em uma vida
dissipada como poeira.
Em olhos cansados, talvez
tristes ou alegres, mas penso
no tempo sumido de mim.

Tomando as coisas pelo instante,
elas passam como se fossem reais.
Disfarçam sua doce mentira
pois logo desaparecerão
e nada mais haverá.

Mas há o pedaço do sim
antes do desenlace no não.
Existe o que sentes dentro de ti
como a coragem de fazer
sem pensar que seja em vão.

Porque talvez em vão nada seja
e como aqui reúnem-se
milhares de talvez em procissão,
nada maior do que a coragem de
existir em eterna e doce contradição.

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Helenka W. Rossow

Um estado de espírito, de alma e memória.
Não sei, mas sempre há uma parte que me falta.
Tal nódoa de garganta, grito que se solta,
desespero por não ser e angústia por saber.

Para além do giro que me dobra, das cores
e sensações vazias esparramadas em mim,
ondas que se movimentam sem história, ouço
a voz da solidão, do que vai embora.

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Em quantas realidades se multiplica um único instante? Com quantos movimentos se recria um sentimento? Com quantas cores se compõe uma estética? Com quantos silêncios se conta uma história? Nestas e além dessas perguntas, belas construções cinematográficas como Pina, de Wim Wenders, ganham forma e expressão, e tornam-se capazes de atingir a sensibilidade de quem vê, escuta e, mesmo imóvel, se movimenta diante da tela de cinema.

Em uma homenagem à dançarina e coreógrafa alemã, Pina Bausch, o cineasta alemão dá voz à companhia de dança formada por Pina e seus bailarinos mais próximos e vai recompondo nos quadros da montagem cinematográfica toda uma rede de memórias, silêncios e momentos, vindos de pessoas diferentes, de diferentes locais do mundo, de homens e mulheres que dançam, atravessados pela figura do instante.

Instante é uma palavra que tangenciaria a essência de um filme como Pina. Instante onde o tempo de fato existe, instante de saudade e memória, instante em que um movimento deixa de ser um para já se converter em outro, instante em que as cores se harmonizam diante de terra, água, fogo e ar, em outras palavras, o instante da arte.

O filme Pina emociona não só pela qualidade estética, reflexo da própria beleza estética da dança, como também pela carga de história e sonho que carrega. Na história recontada podem-se ver as afinidades entre coreógrafo e bailarino, entre emoção e movimento, entre a arte e o homem, afinidades que Pina soube perceber e traduzir para sua dança e que ela também soube construir quando via mais dos seus bailarinos do que eles mesmos viam de si.

As coreografias montadas pela alemã que integram o filme de Wenders são essenciais por deixarem transparecer não só esta afinidade, mas justamente o tônus de sua arte. Uma arte precisa, rígida, mas também livre, uma arte capaz de jogar terra sobre o homem, para depois entrar dentro dele expulsando de seu interior as barreiras de sua timidez, espelhando toda a dualidade de sua alma. Uma arte que resiste, como resiste o abraço que tão logo desfeito volta a se buscar, de forma cada vez mais frenética e automática.

Portanto, se o homem é resistente, ele também pode sucumbir ao condicionamento de sua memória, de suas emoções. Por isso a trajetória humana nunca é fácil. Várias são as cadeiras no meio da sala, e várias as paredes onde podemos deslizar feito lagartixas, baratas, ou sombras.

Poetizando o espaço urbano, devassando os interiores, as coreografias de Pina abrem margem para infinitas interpretações. E delas não se sai facilmente. Sempre haverá uma nova por trás da antiga, uma afirmação ou negação de si mesmo, porque a arte de Pina é acima de tudo múltipla. Diversas são as cores, os compassos, as melodias e os movimentos. Diversos são os rostos e as histórias reunidos em uma mesma construção poética.

E se Pina constrói seu sonho de dança, Win Wenders reconstrói a dança no cinema em uma infinidade de metalinguagens. Primeiro a dança fala e relembra a própria dança, depois, o cinema pretender transpor os limites do próprio cinema quando a sala de cinema onde nós estamos aos poucos vai se convertendo no auditório da tela onde se passam as coreografias de dança dentro do filme. Tem-se a impressão de ver as apresentações ao vivo, principalmente no espectro das três dimensões.

E é vendo, participando, que, de quadro a quadro, de movimento a movimento, de memória em memória, o instante se faz pleno tanto em filme como em dança diante do espectador. O trem suspenso de Wuppertal insiste em correr, até as mais grandiosas paisagens insistem em sorrateiramente mudar, mas sempre haverá alguém dançando dentro deles ou sobre eles, materializando o instante do movimento, da cor, o instante em que a água se suspende e paira no ar, em que o corpo voa.

Esse instante inerente à dança parece ser também a grande aposta deste singular filme de Wim Wenders, por isso seus quadros imóveis são tão bonitos, e vem também para nos lembrar que se a vida de fato se parece com o cotidiano frenético de uma grande cidade, e que, como um trem suspenso, não pode parar, nela reside a exceção da arte que assimila o instante, quando mesmo nossa memória e seus espaços nos são fugitivos.

Por isso, “dancem, dancem, ou estamos perdidos”.

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