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Entrevista: IPAD e sua relação com o livro

Este vídeo foi produzido pelas estudantes do 4ª ano de Jornalismo da PUC-Campinas Maura Voltarelli e Élida Santos para a disciplina Jornalismo Aplicado em Telejornalismo, sob orientação do Prof. Reginaldo Moreira.

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Nestes tempos corridos e cansativos tenho feito uma análise digamos mais atenta e minuciosa ao jornal Folha de S. Paulo em decorrência de trabalhos e mais trabalhos acadêmicos. Acabo de fazer a análise de um artigo publicado hoje, 23 de março de 2009, pela presente Folha de que vos falo e corri para cá este meu espaço dividir com os caros navegantes um pouco de minha, eu diria, irritação com um artigo, que na minha modesta opinião – e ela é só minha, enfim, algo que acredito possuir de fato – perdeu todas as chances que tinha de ser um bom artigo, como de fato poderia sê-lo.
O artigo do jornalista José Maria e Silva que pode ser lido aqui toca em um ponto polêmico: a legalização das drogas e a política de redução de danos – que gera discussões das mais variadas e por envolver questões complexas deveria ser analisado com mais cautela – o que, definitivamente, não se faz notar no presente artigo. José Maria defende e sustenta sua opinião com base em seus argumentos, até aí nada de novo em se tratando de um artigo. O problema começa no “como” ele defende e sustenta a sua opinião. José Maria faz uso de comparações absurdas, mistura temas como o “Manifesto Comunista” com a legalização das drogas e a política de redução de danos, comparando-o a uma “Declaração dos Direitos dos Usuários de Drogas”, que ele critica de maneira enfática. Fácil ver que uma coisa não tem nada a ver com a outra, não servem para serem usadas a título de comparação. Seguindo a lógica, contrapõe “arauto de ciência de ponta” com “entulhos do Maio de 68”.
Em meio a essas comparações vazias de lógica e critério, senti no texto uma falta de humanidade e uma imensidão de preconceitos. Não se trata de defender o usuário de drogas, eles não estão totalmente livres de culpa, mas também não precisam ser atacados de maneira generalizada e um tanto quanto equivocada. Nossos problemas imploram por entendimento e não por atitudes que os reprimam. O autor limita consideravelmente sua capacidade de análise a respeito do tema, pois comete um pecado mortal ao se perder daquela que contempla a quem sabe encontrá-la com mais equilíbrio e perspicácia: a simples capacidade e sensibilidade de perceber que tudo tem um outro lado e antes de tomar partido de um ou de outro, em uma situação específica, é preciso analisar muito bem todas as variáveis que compõem esta dada situação. Variáveis tão multiplas e tão inexatas.
Termino citando meu querido Saramago – “Se podes olhar, vê, se podes ver, repara”. Minha impressão é de que José Maria viu, mas não reparou e assim ficou apenas no dito pelo não dito.

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O texto de Elio Gaspari deste domingo, 22 de março de 2009, na Folha de S. Paulo, está como sempre criativo e especialmente irônico. Faz rir e pensar, com a mesma sinceridade desconcertante que alguns acontecimentos recentes acontecem na crônica, especialmente original, de nosssa realidade, que consegue se superar em absurdos para os quais só mesmo recorrendo ao riso e à ironia. Por isso, fica aqui desde já minha contribuição ao amigo navegante com alguns trechos do, como sempre inteligente e perpicaz, Elio Gaspari.

Entra e sai

Pode-se entender melhor a qualidade da base de apoio do governo quando se vê que em menos de um mês aconteceram duas coisas:
1) O deputado Eduardo Cunha, um parlamentar de real grandeza, defendeu a saída do senador Jarbas Vasconcelos do PMDB porque ele disse que uma banda do partido gosta do alheio.
2) Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, o lord keynes do mensalão, foi a Brasília para cabalar o seu retorno ao partido, do qual foi expulso.
O melhor seria chamar Jarbas para o PT, mandando Delúbio para o PMDB. Pode até dar na mesma, mas anima o bailado.

Ponto para Elio Gaspari. Já que o bailado está realmente animado e especialmente alterado, eu acrescentaria que vivemos no tempo da “farinha do mesmo saco” com algumas excessões é claro, não seremos levianos e generalizadores, Elio Gaspari não o seria.

El Deportador

Negociando com o arrozeiros de Roraima, o comissário Tarso Genro deve perguntar quantos deles gostariam de ir para Cuba.

Ponto para Elio Gaspari novamente já que nosso Ministro da Justiça, Tarso Genro, sempre consegue um jeito excêntrico e contraditório de resolver questões essenciais, como se apresenta o problema dos arrozeiros que, na minha opinião, demoraram pra sair. Cadê a definição de prazo? De nada adianta defender os interesses dos índios se na prática não há definição de “pesos e medidas” porque apenas essas parecem surtir efeito em alguns casos e com algumas pessoas. Agora, pra isso, precisamos de um pouco mais de coerência e senso de realidade daqueles que nos representam. Coerência já!

E falando em coerência o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, pronunciando-se na semana que passou a respeito da contração do PIB no último trimestre, disse que o cenário para este ano é razoável, pois “ficaremos distantes de um déficit técnico”.
Citando Gaspari:

Meu leitor o termo déficit técnico não existe. O que existe é o termo recessão, que ocorre tecnicamente quando há dois trimestres seguidos de crescimento negativo. Natasha* acredita que o doutor Mantega está com déficit técnico. De que, ainda não sabe.
Seu colega Eremildo, de quem ela não gosta porque é um idiota, suspeita que o Banco Central passou a remarcar as previsões de crescimento do PIB pela técnica das liquidações do varejão. Baixou uma previsão feita por seus sábios de 1,2% para 0,59%. O cretino acredita que daqui a pouco o BC anunciará um PIB de 5, 99% em oito prestações anuais.

Ponto duplo para Elio Gaspari. Esta que traça estas mal traçadas linhas dispensa comentários neste ponto. Para resumir o absurdo o caracterizarei com algumas palavras tais como desserviço, desrespeito, desumanização, descalabro e quantos mais “des” couberem nesses contantes deslocamentos morais. Haja “des” para tanto desprepararo e descaramento.

* Natasha é uma personagem criada por Elio Gaspari nos textos em que este fala de economia. Assim como Eremildo, o idiota. Ambos representam um pouco dos brasileiros que acabam enganados e ludibriados com os números, dados e termos de uma economia que não se explica para a maioria.

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O Jornal Pessoal é um alternativo que existe há 17 anos na Amazônia. Sua linhagem tem por base a investigação e a análise crítica de grandes temas da região, como biodiversidade, projetos econômicos e questões agrárias. Seu fundador Lúcio Flávio Pinto criou o jornal no período pós-ditadura militar. Daí poderia vir uma contradição que quero trabalhar neste texto. O que leva um jornalista a lançar um veículo alternativo em plena liberdade política? Os tempos atuais podem ser vistos como uma era de amplo acesso a informação no Brasil? A imprensa alternativa viveu o seu auge durante o período da ditadura militar. Diante da restrição à liberdade de imprensa e de expressão, da anulação dos direitos essenciais do cidadão e da censura, muitas vezes implacável, os jornais da grande imprensa foram totalmente controlados pelo governo, tendo que recorrer, como se sabe, às famosas receitas de bolo ou aos versos de Camões. Como a grande imprensa do país estava literalmente amordaçada pelo regime militar, a única fonte de informação da população passou a ser a imprensa alternativa, composta por nomes como O Pasquim, Opinião, Movimento, dentre outros. Os alternativos denunciavam os atos de tortura implementados pelo DOI-CODI, as violações aos direitos humanos, os graves crimes cometidos pelo estado e tantos outros temas e fatos que eram de real interesse público, mas estavam mascarados por nossa “Ditadura Escancarada” pós AI-5, como diz o jornalista Elio Gaspari. O fato é que durante essa época surgiram cerca de 160 periódicos das mais variadas tendências. Com a abertura política no governo de Figueiredo, os alternativos começaram a perder força, principalmente, porque com a “volta da liberdade”, opor-se ao governo deixou de ser monopólio da imprensa alternativa.
É justamente nesse contexto de “volta da democracia” que Lúcio Flávio Pinto decide lançar o seu próprio jornal alternativo. Lúcio já era um jornalista experiente. Ele era repórter do jornal O Liberal, maior veículo de comunicação do Norte e Nordeste do Brasil. O Jornal se recusou a publicar informações que Lúcio reunira em três meses de investigação sobre o assassinato do ex-deputado estadual Paulo Fonteles. O caso envolvia interesses grandes demais para permitir uma cobertura isenta, por isso não só O Liberal, como também outros grandes jornais do país, deixaram este fato de total relevância jornalística passar em branco. Lúcio decide, portanto, criar o Jornal Pessoal e nele publica a matéria que fora rejeitada por O Liberal. O Jornal Pessoal já surge com uma matéria de grande impacto jornalístico, com investigação séria e análise crítica dos fatos, o que vai ser uma marca das demais reportagens do jornal.
O Jornal Pessoal também publicou grandes reportagens que foram simplesmente ignoradas pela grande imprensa, como a que se refere à entrada do narcotráfico no Pará, tendo como foco o assassinato do jovem empresário Bruno Meira Matos. Podemos perceber claramente que, infelizmente, nós convivemos com uma imprensa cada vez mais conivente, parcial, que prefere as declarações às informações. Afinal, as primeiras comprometem quem as deu e não a imprensa, já as informações, são de inteira responsabilidade de quem as publica. A grande imprensa esqueceu um dos maiores princípios do jornalismo: a investigação e o está substituindo pela preguiça, preguiça essa que se traduz em uma cobertura superficial, que não informa, muito pelo contrário, chega até a desinformar, tendo como base um jornalismo de press-release (informações prontas). O Jornal Pessoal não tem publicidade em suas páginas, o conteúdo é puramente informativo, e toda produção jornalística é feira por Lúcio Flávio Pinto.

O jornalismo investigativo praticado por ele já lhe rendeu diversos processos judiciais aos quais ele responde desde outubro de 1992, além de um fato no mínimo covarde. Todos se lembram do episódio em que Lúcio foi espancado e ameaçado de morte pelo empresário Ronaldo Maiorana, diretor-editor-corporativo do jornal O Liberal em um restaurante de Belém do Pará. Esse triste e vergonhoso episódio, apenas mostra que os resquícios do autoritarismo, as seqüelas da autocensura que decorrem da censura direta sofrida durante a ditadura militar e as formas de barbárie e opressão continuam latentes nos dias atuais. Voltamos àquela contradição a que me referi no começo deste texto. Tem sentido um jornal alternativo ser lançado em um período no qual as liberdades estão de volta e a imprensa é livre para informar e investigar os fatos? Afinal a ditadura acabou não é? Hoje somos livres, pensamos e fazemos o que queremos, não há censores, muito menos porões de tortura. O fato é que quando analisamos a trajetória do Jornal Pessoal, um símbolo da luta pela liberdade de imprensa na Amazônia, vemos que a censura está mais viva do que nunca nas redações brasileiras, a diferença é que ela não é oficial, e sim, sutil, mascarada pelos interesses dos grandes empresários da comunicação, que há muito não fazem jornalismo para o público e sim pelo lucro. A grande imprensa simplesmente abdicou de sua capacidade de investigação e de contestação responsável. O Jornal Pessoal é um exemplo de jornal alternativo, alternativo a todos os jornais que simplesmente se recusam a fazer jornalismo, alternativo à preguiça, ao silêncio conivente e oportunista da grande imprensa, à defesa de interesses escusos, à informação pronta e copiada, à falta de ética no exercício da profissão e no trato do interesse público. Um alternativo sério, responsável, que sabe fazer oposição, porque sabe o que diz e o que quer, não vive de especulações e posições extremadas. É, no mínimo curioso, o fato de querermos nos considerar uma democracia, afinal, democracia, liberdade e amplo acesso à informação não combinam com jornalistas que são espancados e jornais que não têm liberdade de expressão quando criticam os detentores do poder ou contrariam interesses econômicos, principalmente, em regiões afastadas do centro econômico e político do país, onde se pressupõe que vigora uma terra sem lei!

O Jornalista Lúcio Flávio Pinto

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