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Posts Tagged ‘modernidade’

Hermafrodita adormecida, de um romano anônimo, restaurada por Bernini

Hermafrodita adormecida, de um romano anônimo, restaurada por Bernini

 

Aviste quem puder aquela
veste tombada. Próxima à calçada,
tangenciando a sarjeta aquele
pedaço de trapo abandonado.

Há quem diga ser aquilo
um vestígio deixado
por tantos outros deuses já passados
por aqui ouvidos ou vilipendiados.

Veja se acredita que aquela veste
é como sobrevive a menina
de olhos, cabelos e rosto
possuídos os homens que fascina.

Sutis são os ardis do passado
a insistir em ser presente.
Este ser persistente que volta,
essa memória sempre intermitente.

E de repente é possível, surpreende
que no meio de tanto lixo você
insista, você rebente
imagem sobrevivente.

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Constantin Guys

Na sucessão de dias e de noites,
confusão de arrepios e açoites,
sou eu que ando na multidão
a procurar sentidos e
respostas que não mais estão.

Repetição incansável onde o novo se abre.

Pode viver hoje a aventura de sua vida,
encontrar um grande amor,
ter uma ideia improvável,
entrar em uma discussão,
fazer as pazes, compor uma canção.

Pode ter tudo na promessa do agora.

Inventar espelhos,
ver-se de frente, de costas,
cheia de colares ou ausente de adereços.
Guardar na memória ou pensar:
Esqueço e nada mais.

Transgressão tão desejável.

Acúmulo de mortes empoeiradas.
Mulher tão cheia de noite que
não vê sua fábula, seu conto de fada.
E segue a escrever sua carta
a nenhum destinada.

M.V

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Passo cada vez mais rápido.
Tenho meu presente
comprimido
em compressa de água morna.

Em meio à inversão de gestos
tal vento doce
leve catavento
voando sobre o tempo.

Ando e não mudo de lugar.
Corro e me condeno
a retornar
ao lugar de onde me joguei.

Tento relembrar
longe, já distante.
Vertigem lisa, razão.
Cuida, acaricia, nem vê.

E não há como chegar.
Corro pela estrada
pego o bonde
se houver parada, pensar

pensar, se houver parada.

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E o homem inventou o relógio,
para atormentar a alma
e programar o dia.

Não contente pensou no despertador,
para emitir ruídos estúpidos
e interromper sonhos noturnos.

Programou uma vida de papéis e carimbos,
números, endereços, salário e
mil pedras no caminho.

Para se ir mais rápido criou o carro,
“sons harmoniosos”, “lenta velocidade”, a
carruagem do infinito.

E para que tudo não seja tão cinza,
pintou o rígido calendário com
alguns feriados amigos.

Eis o mundo da fuga.
É preciso fugir da vida
para viver ainda que por um dia.

Contando os minutos, ainda.

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