Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘presente’

Cézanne

Cézanne

O presente é o melhor
de todos os tempos.
Há nele o ávido do instante
novo.
Nada mais que o existir em
contrastes e contornos
plenos. Nem imagens velhas,
tampouco miragens altas.
Beleza do gesto vivo
em ato.
Calor ainda fresco
do cheiro do mormaço.
Pressente o presente
e nada mais existe.
Só o delírio que nasce daqui
tímido, insiste.

Read Full Post »

Oswaldo Goeldi, 1937

Oswaldo Goeldi, 1937

(3)

O que há na noite, todo um mundo que passa. Uma reunião de imagens, horas sem som ou graça. Horas com toda gratidão ou nenhum perdão. O que há com a noite, tão misteriosa ela enlaça, sonhos tão viajantes, outras imensidões abraça. Há um tanto de mim em cada noite despedaçada. Arrastada. Os pedaços que procuro aqui, as partes que desminto lá. Ora rio ora choro. Ora te vejo ora te nego. Te rabisco e te venero. Você mesma que foste um dia, você mesma que agora me despreza. O que há com a tua dignidade, noite branda, noite desfeita em colares. Em silêncio acordo exaltada, eis a noite na madrugada. Desconfiada. Imersa em obscuridade. Vejo tudo de mim. Vejo o quanto tenho saudade.

Read Full Post »

Então, o homem diz: “eu me lembro”, e inveja o animal que imediatamente esquece e vê todo instante realmente morrer imerso em n´voa e noite e extinguir-se para sempre. Assim, o animal vive a-historicamente: ele passa pelo presente como um número, sem que reste uma estranha quebra. Ele não sabe se disfarçar, não esconde nada e aparece a todo momento plenamente como o que é, ou seja, não pode ser outra coisa senão sincero. O homem, ao contrário, contrapõe-se ao grande e cada vez maior peso do que passou […] No entanto, em meio à menor como em meio à maior felicidade é sempre uma coisa que torna a felicidade o que ela é: o poder esquecer ou, dito de maneira mais erudita, a faculdade de sentir a-historicamente durante a sua duração. Quem não pode se instalar no limiar do instante, esquecendo todo passado, quem não consegue firmar pé em um ponto como uma divindade da vitória sem vertigem e sem medo, nunca saberá o que é felicidade, e ainda pior: nunca fará algo que torne os outros felizes. (p. 8 e 9)

[…] nós somos sem cultura, mais ainda, estamos estragados para a vida, para o ver e o ouvir corretos e simples, para a apreensão feliz do que há de mais próximo e natural, e não temos até agora nem mesmo o fundamento de uma cultura, porque não estamos convencidos de termos uma vida verdadeira em nós. […] Presenteai-me primeiro com a vida e então, a partir disso, terei prazer em criar-vos uma cultura! […] Quem lhes presenteará com esta vida? Nenhum deus e nenhum homem: somente a sua própria juventude. (p. 94)

Friedrich Nietzsche, Segunda consideração intempestiva. Da utilidade e desvantagem da história para a vida. Trad: Marco Antônio Casanova. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2003

Read Full Post »

Passo cada vez mais rápido.
Tenho meu presente
comprimido
em compressa de água morna.

Em meio à inversão de gestos
tal vento doce
leve catavento
voando sobre o tempo.

Ando e não mudo de lugar.
Corro e me condeno
a retornar
ao lugar de onde me joguei.

Tento relembrar
longe, já distante.
Vertigem lisa, razão.
Cuida, acaricia, nem vê.

E não há como chegar.
Corro pela estrada
pego o bonde
se houver parada, pensar

pensar, se houver parada.

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: