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Posts Tagged ‘sujeito’

Modigliani

Modigliani

Ela descobria seu corpo
sentada diante do espelho.
Pelas mãos arrastadas via escorrer o tempo
em marcas invisíveis acumuladas.
Procurava aquele sinal de antes,
algum resto de fratura de membro.
Aproximava os olhares para ver melhor,
imitando gestos nos lugares de antes
e talvez o fossem amanhã.
Para sentir os tantos dos seus amores
ela encontrava o cheiro daqueles lugares,
daqueles olhares que preferia nem encontrar.
E tampava os olhos com uma mecha de cabelo,
o cabelo agora colorido por várias cores.
Sem querer ela queria voltar,
nem que fosse por um instante.
E abria cada vez mais o peito,
as pernas esticadas para lá.
Como uma mulher cortada ao meio,
ela ainda procurava no seu um outro olhar.
E embaçava o espelho,
dançando sem sair do lugar.

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Céu de Van Gogh

As paredes protegem o homem,
enquanto o condenam à sua solidão.
Os campos perseguem a paz
enquanto confundem os olhos de vastidão.
Os bancos recebem o corpo,
enquanto deitam a alma em contemplação.

Foi assim que me deitei naquela hora,
esticando as costas e levantando o olhar.
Encontrei de súbito um espelho de árvores
salpicadas de luz e formas doces entrecortadas.
Nada mais ouvi do que falavam ao meu lado,
nada mais senti que não fosse o suspirar
do meu cansaço e das minhas imensidões.
Nada mais me interessava do que se passava ao redor,
nem se eu seria outra ou aquela ali mesma
em questão. Apenas entreguei meus
pensamentos ao eterno instante do não.
E por que nem pensava em possíveis
exteriores sentidos pra isso ou aquilo,
aquilo me preencheu como vinho em noite
sem som. E como eu sabia que tudo
era de certa forma inútil, eu tomava
meu prazer em ser também inútil.
Sem serventia, eu e o uniVERSO,
que nem sequer sabe ou suspeita de mim,
de tudo que senti. Mas ambos éramos comunhão.

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Jeanne Hebuterne in Large Hat, Amadeo Modigliani

Em tantos buracos dançantes
que rondam tanta alma,
um aperto de tristeza
que sair queria e não podia,
explodia dos olhos de quem
com tanto ser não sabia o que fazia.

Mas era clara e doce,
com tanto jeito de menina antiga…
Era brava e forte,
com tanto jeito de mulher fugida…

E como suportar tanta beleza,
vencer as barreiras que lá edificam?
Declarar-se plenamente feliz,
enquanto nasceste com a tristeza
rebolando nos quadris?

Como ser eu mesma?
Tão, tão perdida de mim.

M.V

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