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Posts Tagged ‘Tarsila do Amaral’

Título da Obra: Estudo: Mãos, 1948 Data de Aquisição: 1973 Técnicas e Dimensões: nanquim e aguada sobre papel, 31 X 24,8 Procedência: Doação, Família Tarsila do Amaral

Elas têm fugido de mim
na correria quente dos dias
ardidas e fartas
saturadas de tantas manias.

Têm ido para onde não sei buscar
no fundo oco das horas
ociosas e incompletas
ausentes das minhas claras vigílias.

Que eles assim também se fossem
é o desejo que grita na alma
mudos e covardes
sem nenhuma coragem de voltar.

Mas como tudo que resiste
no chão feito de pedras
agudos e grandes
insistem no seu vil lugar.

Vivos quando parecem mortos
ainda que não queira falá-los
eles escorregam por entre esses dedos
de calor inchados.

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Estudo: corpo de mulher (Incompleto), Tarsila do Amaral

Estudo: corpo de mulher (Incompleto), Tarsila do Amaral

Olhamos os nossos rostos
escorregados e tortos.
E usamos nossas palavras
a nós sussurradas e mortas.
Divisamos nosso tempo envelhecido
nossas falas mansas e amorfas.
As imagens nos surgem embaçadas
enquanto construímos nossas preces de nada.
E penduramos no pulso um relógio gasto
nas paredes quadros sem data
esculpindo nossas visões provisórias
nossas loucuras eufóricas.
Olhamos o nosso tempo
e tudo o que somos e o que nos vai por dentro.
E às vezes nem há dentro
apenas um espasmo absoluto
um sopro às vezes rasteiro ou profundo.
Nesses nossos ventos de absurdos
nessa nossa vida curta
custa apreender os mistérios
de nossas horas nuas.

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Tarsila do Amaral, Estudo: corpo de mulher (Incompleto)

Em corpo reto na posição encostada
verte-se sobre mim uma angústia
que insiste em estar e não passa,
como uma sensação de perda de tempo

nada.

Meu corpo imagina um corredor,
as costas em suor me molham,
as coisas todas me revelam uma dor
e eu não sinto nada mais além dos livros

que me olham.

Há pouco provava do doce ar,
do fresco brincar na vida cor-de-rosa,
mesclando-os com as imagens de um lugar
que na noite escura ainda chora.

————————————

Ainda desce a tarde calma e nova,
derramando um estado de cores
a espreguiçar o tempo que volta
quase como o sangue que de mim

brota.

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Academia número 4, 1922, Tarsila do Amaral

Essa coisa que carrego
Esse ser mulher
A bater no peito
Esse sentimento de medo

A coragem de dizer o que se é
De ser sem rodeio
Saber quando não se pode mais
Essa ideia do avesso

Esse céu poderia estar limpo
Essa lua sem véu
E milhares de estrelas
Mas no breu surge um ponto

E saber que não devo
Ou sentir que apenas esqueço
Minha rede sem dono
E no breu me dispo

Sou abandono

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Cabide (1945), Tarsila do Amaral

Cabide (1945), Tarsila do Amaral

Desce uma fina e continuada chuva do céu cinza e distante. Pego o livro. Estico os olhos. Desvio a atenção. Preciso fazer algo para comer. Organizar. Colocar as coisas em ordem. Estive o dia todo pensando nisso. Pensei muito. Talvez fosse o caso de aparecer mais. Ou não. Simplesmente saber o que se quer e como se quer. Ser segura. Trovões trazem de volta minha atenção fugida. O barulho do portão, dos carros que saem, entram e vão. Agora há pouco, três pássaros negros voaram em cima do telhado de casa. Pensei em escrevê-los aqui. Mas são muitas páginas e a história não parece lá das mais interessantes. Nem vi ao certo a história. Parece tudo meio confuso. Estou inclinada a simplesmente pensar. Como farei? Tenho muitas dúvidas que talvez não sejam boas. Todos fazem tanto. Acho que faço muito pouco e saio em bem poucos retratos. A comida já esquenta no fogo e preciso tirar logo antes que queime.
Também tinha pensado em ir ao cinema. Assistir. Mas desisti no meio do caminho. Ou o caminho desistiu por mim. São tantas coisas. Mas acho que só pra mim elas existem e falam.
Agora fico com medo de continuar. Um barulho resistente e gritante vai turvar minha atenção. Que hoje já não anda lá muito boa. Acho que vou dançar, além das coisas que o destino já me encarregou de fazer. E ainda preciso lavar a louça, escolher uma roupa. Talvez eu saia mais tarde. Mas olho novamente a chuva. Talvez não. Talvez eu só fique aqui mexendo os braços. E agora faz silêncio. Todo barulho se foi, exceto o da chuva. Persistente. E aqueles objetos no fio que mais parecem pássaros…

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Carnaval em Madureira, Tarsila do Amaral, 1922

Cordões suspensos a sustentar saudades
de tantos homens, mulheres,
meninas e garotos amontoados.
A vida em som, ritmo e buzinada.
Fantasiada…
A vida em festa e o coração apertado,
as lágrimas que quase descem, mas
deixam vir um sorriso cadenciado
pela multidão em chamas,
em uma incrível bagunça organizada.

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Poesia: Lesma

Urutu, Tarsila do Amaral

Me vi fora de mim mesma
olhei de lado
de cima até embaixo
me vi deitada na cama
sentada na mesa
remoendo a vida
imitando a lesma!
M.V

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